A Reforma Tributária, que entrará em vigor em 2026, tem potencial para alterar profundamente o cenário fiscal brasileiro. Segundo levantamento realizado pela ASIS Tax Tech, a transição para o novo modelo poderá gerar perdas financeiras para aproximadamente 70% das empresas.
O estudo foi baseado em simulações realizadas a partir de dados do SPED (Sistema Público de Escrituração Digital), o que confere robustez às estimativas apresentadas.
Estrutura do novo sistema
O principal eixo da reforma é a criação do Imposto sobre Valor Adicionado (IVA), que substituirá cinco tributos: PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS. A proposta visa simplificar a tributação, mas, na prática, exigirá adaptações significativas em diversos setores da economia.
Outro ponto de destaque é a implementação do split payment, mecanismo pelo qual parte do imposto será retida no momento do pagamento ao fornecedor e enviada diretamente ao Fisco. Essa sistemática tende a reduzir a inadimplência tributária, mas pode impactar negativamente a gestão de créditos pelas empresas.
Possíveis impactos financeiros
As perdas para as empresas que não se adaptarem previamente às novas regras decorrem de três fatores principais:
- Perda de créditos tributários: o aproveitamento de créditos ficará condicionado à regularidade fiscal do fornecedor.
- Maior risco de autuações: a fase inicial de adaptação pode expor companhias a inconsistências no cumprimento das novas obrigações.
- Problemas de fluxo de caixa: o split payment antecipa a saída de recursos, o que pode comprometer o capital de giro.
Esses elementos explicam a estimativa de que sete em cada dez empresas terão impactos negativos diretos, caso não reestruturem suas operações.
Setores mais expostos
Embora a reforma afete todo o ambiente empresarial, alguns setores apresentam maior vulnerabilidade, como:
- Serviços: devido à diferença entre as alíquotas atuais e a futura carga efetiva.
- Indústrias com longas cadeias produtivas: pela dificuldade em garantir a conformidade de todos os elos da cadeia.
- Comércio: em razão da necessidade de readequação dos contratos e da precificação.
A simplificação trazida pelo IVA pode gerar ganhos de eficiência no longo prazo, mas a transição demandará planejamento tributário, ajustes contratuais e revisão dos sistemas internos de compliance fiscal. Empresas que se anteciparem às mudanças terão maior capacidade de mitigar riscos e reduzir perdas. Já aquelas que optarem por aguardar a entrada em vigor do novo modelo poderão enfrentar custos adicionais e redução de competitividade.





